sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

RESULTADO DA SELEÇÃO DE OFICINAS EREA AJU 2009

Inspire Cidade... Expire Intervenção... – Oficina de Plano Diretor com Pedro Verde estudante do 10º periodo do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Campinas
- A Cidade-EREA, como qualquer cidade, deve visar o melhor para seus moradores. E a melhor forma de atender os anseios do moradores da cidade é através de um Plano Diretor Participativo. Nesta oficina os participantes avaliam o que está bom na cidade, o que melhorar, e como melhorar através de intervenções práticas.

Cores em movimento - Oficina de Tie Dye com Adriana Magalhães e Gabriela Dantas estudantes 4º período do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Sergipe
- Nos utilizaremos de uma breve parte teorica, onde nesta será mostrada um pouco da teoria das cores com o circulo cromatico, psicologia das cores e uma pequena introdução a história do tie dye. Em seguida faremos uso de algumas das tecnicas do tie dye, para colocarmos em pratica combinações e tonalidades.

Intervenção Urbana– Arte de Rua - Oficina de Stencil com André Castanheira estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora
- O objetivo da intervenção urbana é expor suas idéias, opiniões e críticas no meio urbano. A lata de spray, o estilete e a chapa de raio-x formam uma ferramenta capaz de mudar, pelo menos por uns instantes, o pensamento das pessoas que transitam pelas cidades.

Papel dobrado pra fazer arquitetura- Oficina de Origami com Giovani Bonadiman Goltara estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo
- Podemos brincar com a arquitetura, encontrar outras formas de inspiração que não apenas imagens, ver, tocar, construir. Através de dobraduras de papel podemos pensar na plástica de uma construção, obtendo formas organicas, simétricas ou abstratas.

Doa- se Tempo - Oficina de Intervenção Humana com Bruna Alves Prado Martins estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora, e Gabriel Schuery Custódio estudante de Artes também da UFJF
- Nossa oficina propõe que depois de uma discussão entre todos do grupo a respeito de como cada um de nós gasta seu tempo, o que deixamos de fazer ou que fazemos, enfim, como nos relacionamos com o mundo, decida-se uma performance para ser feita no centro da cidade (uma rua muito movimentada por exemplo) para que essas discussões ultrapassem o mundo universitário e invada a cidade. Propondo esses questionamentos a todas pessoas de uma forma instigante e renovadora. Ver vídeo da oficina feita nas ruas de Juiz de Fora http://br.youtube.com/watch?v=BO99mtQtVtk .

Oficina de Graffit com Juarez, estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tiradentes
- Oficina voltada para todos aqueles que se interessam em artes gráficas e com isso passarem a intervir em espaços mortos da cidade, sem afetar a relação patrimonial!

Oficina de Circo com o Grupo CIRCOLARTE

- Oficina que vai mostrar um pouco da arte circencse aos participantes do EREA Aju. De forma divertida, os participantes terão a chance de aprender e de entrar no mundo do circo através de oficinas de trapézio, tecido, malabares, palhaçaria, etc. Porque Circo também é Arte!

Oficina de Pufe de garrafa pet com Keyla Ferreira estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará
- A oficina consiste em fazer um pufe de garrafas pet, utilizando um método de encaixe que permite fazer uma peça bastante resistente, essa peça base pode ser utilizada para fazer também outros objetos, para isso basta deixar fluir a criatividade.

OFICINAS OFERTADAS PELO CENTRO DE CRIATIVIDADE GOV. JOÃO ALVES FILHO NO EREA ARACAJU 2009

Oficina de Bonecos – Oficina do Centro de Criatividade Gov. João Alvez Filho
- Aprenda a confeccionar os famosos “Bonecos de Olinda”

Oficina de Pifano – Oficina do Centro de Criatividade Gov. João Alvez Filho
- Aprenda a confeccionar e tocar Pifano

Ps.: Lista de Oficinas sujeita a alterações, se necessário

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cronograma de Atividades


Para baixar o cronograma completo:
http://rapidshare.com/files/171508210/CRONOGRAMA_para_divulgar_08-12.doc.html

EREA ARACAJU 2009 – de 12 a 18 de Janeiro
No Centro de Criatividade Gov. João Alves Filho

Mesas, Palestras e GD’s *

Mesa 01: Todo mundo tem direito de morar! - Movimentos Sociais e a Luta pela moradia.
Com MOTU – Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos de Aracaju e Raphael Fontes Cloux, autor do livro “MSTS: A trajetória do Movimento dos Sem Teto de Salvador/Bahia.”

-Um momento para que os estudantes de arquitetura e urbanismo reflitam um pouco mais sobre o direito da moradia e o direito da arquitetura. Será que arquitetura é só para uma minoria mais favorecida?? Em um país tão cheio de contrastes, como o nosso, discutir o direito mais simples e significativo da arquitetura, o de morar, é necessário. Então, vamo nessa?

Mesa (de Bar) 02: Vamos falar sobre cultura?
Com Lupércio, militante do MST- Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

-Como realizar o primeiro encontro de arquitetura e urbanismo genuinamente nordestino sem falar sobre cultura?? Essa mesa de bar vêm exatamente nesse sentido, proporcionar a todos os participantes um momento descontraído para que possamos entender um pouquinho mais sobre essa tal de “cultura” que tanto influencia na nossa arquitetura.
E porque não um militante do Movimento dos Trabalhadores sem Terra para falar sobre isso?? O Lupércio foi convidado para esse encontro justamente para proporcionar aos estudantes um novo olhar sobre a nossa cultura, um olhar de um trabalhador, de uma classe, que nem sempre desfrutou de muitos privilégios, ao invés de um olhar acadêmico que já estamos tão acostumados a ver na universidade.



Mesa 03: Arquitetura de Ontem e a Arquitetura do Cifrão
Com Romero Venâncio - possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Sergipe (1994), especialização em PEDAGOGIA RELIGIOSA. TEOLOGIA pelo Centro Universitário de João Pessoa (1997) e mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (1997), e Juarez Duayer - Possui graduação em Arquitetura pela Universidade Santa Úrsula (1973), mestrado em Analyse Regionale Et Amenagement de L Espace - Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne) (1978) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2003), autor do livro Lukács e a Arquitetura, EdUFF, 2008

-Esse espaço vem aprofundar um pouco mais o pensamento crítico na Arquitetura. Um momento para se refletir sobre quais eram os verdadeiros questionamentos que levaram grandes nomes da arquitetura do nosso passado e presente a se levantarem contra toda forma efêmera de produção arquitetônica.
A temática dessa mesa possui uma grande importância para o amadurecimento da nossa visão crítica como estudantes de arquitetura, hoje, e futuros profissionais de amanhã. Além de ser um tema pouco explorado nas universidades.

Mesa (de bar)04: "Das ruas, das praças, quem disse que sumiu? Aqui está presente o Movimento Estudantil!"
Com Ellen Ruiz(participante do Mov. de Ocupação da Reitoria da USP) e o Mov. de Ocupação da Reitoria da UFS.
- “Na UNB, estudantes ocuparam a reitoria e derrubaram o reitor Timothy Mulholland.”
“Na USP, estudantes ocuparam a reitoria e barraram os decretos do Governador José Serra.”
E aí, vamos debater sobre as Mobilizações Estudantis que aconteceram de 2007 pra cá? Será que essas novas formas de se expressar são válidas? São meros baderneiros ou é um movimento organizado que ocupa as reitorias por ai a fora? Quais foram as conquistas dessas ocupações?

Mesa (de bar)05: O movimento que somos e o movimento que queremos.
Com Ellen Ruiz – estudante de História da USP e Danilo Santana – Estudante de Direito da UFS.
-Um espaço dos estudantes para os estudantes! Esse espaço na programação do EREA AJU é na verdade uma necessidade que nós estudantes sentimos de estar discutindo os rumos desse tal movimento estudantil que a gente tanto ouve falar. Será que estamos organizados de fato?? O que é essa tal de “UNE”?? Ela ainda cumpre com o seu papel, de ser nossa entidade representativa dedicada as lutas dos estudantes??
Os questionamentos são muitos quanto aos caminhos das nossas vidas como estudantes e é justamente esse o espaço que reservamos para que todos possam refletir sobre isso! Não só os estudantes de uma forma mais geral mas, especialmente para os estudantes engajados em C.A’s , D.A.’s e principalmente, na FeNEA.


Mesa 06: Quanto custa o seu diploma?
Com Sergio Lessa- possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (1987), mestrado em Pós Graduação Em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1990) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1994). Atualmente é Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas e Juarez Duayer
- Qual é o verdadeiro sentido da educação?? Pra que e quem ela serve? Qual o papel das escolas de Arquitetura e Urbanismo?? E são esses pensamentos e questionamentos que serão abordados nessa mesa, numa perspectiva de que façamos juntos uma reflexão sobre tudo que vem acontecendo dentro das nossas universidades, como as reformas nas grades, Enade, REUNI, Expansões Irresponsáveis...
E esses espaço é dedicado para que todos esses questionamentos sejam levantadose colocados na ordem do dia, porque acreditamos que com a educação não se brinca! Educação é coisa SÉRIA! E a nossa educação não é uma mercadoria!



Palestra 01 “Bispo do Rosário – O Senhor do Labirinto”
Com a direção do Filme “O Senhor do Labirinto”
- Artista plástico nascido em Japaratuba-SE, o Bispo do Rosário é respeitado mundialmente no âmbito da Arte Contemporânea. O filme “Senhor do Labirinto” contará a história desse descendente de escravos que, por muito tempo, serviu à marinha brasileira e, devido a problemas mentais, ficou vários anos num manicômio.Filme esse, que foi rodado aqui no nosso estado, com a participação atores da nossa terra. Por ser nosso conterrâneo, não poderíamos deixar de colocar um espaço para que todos conheçam um pouco mais da vida e obra desse grande artista, e possam ter também a oportunidade de conhecer um pouco sobre esse filme que será lançado agora em 2009.

Palestra 02: A crise da Arquitetura Contemporânea
Com a Prof. Dr. Ana Maria - professora voluntária do Núcleo de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Sergipe
- “Como assim? A Arquitetura está em crise?” Alguém deve ter se perguntado sobre isso quando leu o tema da mesa. A arquitetura contemporânea vem vivendo um processo de mudanças, que são reflexo da tão falada Pós-Modernidade! Mas será que o Movimento Moderno acabou? Qual a identidade da arquitetura contemporânea? Então galera, vamos pra mesa redonda debater essa tal “crise”?

Palestra 03 : Sensações do Espaço
com a Arquiteta Carolina Vasconcelos
- Vamos falar um pouco sobre sensações que a arquitetura nos causa? Quê que a arquitetura tem a ver com as emoções do homem?Que sentimentos surgem em você ao ver grandes monumentos? A arquitetura pode ser transformadora das nossas ações?

Palestra 04: Habitação Popular em Bambu
com o Arquiteto Ricardo Nunes
- Quer aprender novas tecnologias de se construir? Nessa palestra você terá oportunidade de aprender como se constrói com bambu, quais as suas especificidades, quanto custa, quais as vantagens, e o mais importante de tudo, vai compreender porque resolver o problema da habitação popular em nosso país é imprescindível.

GD 01: Reforma Universitária/REUNI e Reforma nas Particulares
GD 02: Reorganização do ME
GD 03: EMAU
GD 04: Reforma Urbana
GD 05: Lutar pelo seu sonho não é crime! - Criminalização dos Mov. Sociais

Culturais
Cultural 01
Apresentação da LOCOMORG
Festa do TUDO NOSSO...
PORQUE ESSA CULTURA É TODA NOSSA!! Entrem no clima de Sergipe O PAÍS DO FORRÓÓÓ!
Tragam seu chapéu de palha, seu vestido de chita pra fazer o ARRAIÁ DO EREA AJU Bombaaaaaaaaaaar!


Cultural 02
Festa do TEMPERE E DEGUST...Sem Moderação!
Use a Criatividade, nessa festa você pode temperar seu coleguinha do jeito que você quiser! Tempere e depois Degust SEM MODERAÇÃOOOOOOOOOO!
Cultural 03
Festa: EREA gay
Homem de Mulher e Mulher de Homem! Entre no clima, solte as frangas! :X
Cultural 04
Festa: Cansei de ser Sexy!
Casaco de oncinha, sapato com plumas e girassol nos cabelos: coisas que você sempre sonhou em usar! Agora tem essa chance! Libere o Falcão que há dentro de você e grite: Cansei de ser sexy!

Cultural 05
Festa: Carolzona Fantasy!!
Quem não lembra Carlost’s Fantasy do EREA Maceió? Em Aracaju nós temos o Carolzona Fantasy!!
E pra completar essa festa, vamos homenagear o carnaval de rua mais antigo de Aracaju... o RASGADINHO. Essa festa que foi criada em 1962 e até hoje atrai os foliões da nossa, com muito frevo e muita percussão. Ela acontece todos os anos nas ruas do bairro Cirurgia, bairro onde também ficará a nossa Cidade EREA, o Centro de Criatividade Gov. João Alves Filho.
Tragam suas fantasias e vamos curtir a prévia do carnaval no EREA AJU!
Cultural 06
Festa do todo mundo NU! Essa festa é completamente sem CENSURA!

*Convidados para as mesas e palestras estão sujeitos a alterações, se necessário.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Bem-vindo ao EREA ARACAJU...




É com muita felicidade que inauguramos o site do EREA AJU... E foi com entusiasmo, que elaboramos um pequeno texto, explicando um pouco mais sobre esse tal de EREA e o que nós, ComOrg (Comissão Organizadora), queremos com ele!

Inspire... Expire...

Esse encontro está sendo preparado à quase um ano pela ComOrg que não vê o momento dele acontecer! Estamos organizando esse encontro com fins bem práticos para o estudante de Arquitetura e Urbanismo! Acreditamos que a grande importância dos encontros estudantis são, além de fazer a galera se encontrar e se conhecer, fazer com que os integrantes tenham um contato pleno com atividades e assuntos que servirão para a sua complementação acadêmica... Que tenham a oportunidade de trocar informações com os mais diversos participantes, procurando saber da realidade de cada universidade, de cada curso e de cada cidade... Queremos fazer com que os estudantes tenham um espaço organizado, e que através das suas experiências, conversas e pesquisas notem que além de fazer projetos, termos aulas teóricas, entre outras atividades acadêmicas, perceberam que isso ainda não é o suficiente para sermos verdadeiros Arquitetos e Urbanistas... Falta muito mais! Existem muito mais coisas que se relacionam com a nossa área e que podemos atuar de uma forma diferenciada na sociedade, e que por muitas vezes, esse conhecimento, passa batido nas universidades ou até mesmo nem se quer passa... e é esse o nosso maior objetivo!!
Estamos dedicando um ano de nossas vidas para realizar um encontro diferenciado!! Queremos que todos os participantes tenham o prazer de inspirar e expirar todos os dias um pouco mais sobre movimento estudantil... universidade... cidade... cultura... sociedade... meio ambiente... consciência... E, a partir dessas reflexões, consigamos propor, em conjunto e unidos, novas formas de se transformar essa realidade que vivemos e que tanto devemos questionar!!!

Inspire sociedade... Expire cultura...

Caboclinhos


A cultura brasileira é diversificada em sua origem. De norte a sul do país percebemos influências diretas de vários povos nas manifestações populares... Manifestações essas que apresentam os anseios do povo resumindo parte da história e lendas em folguedos com personagens que encantam os olhos de quem tem a sensibilidade de enxergar... ali está traduzido o Brasil.
A capoeira na Bahia, as construções com arquitetura européia no sul do Brasil e o bairro da Liberdade em São Paulo revelam um pouco da diversidade do povo brasileiro! O país possui uma cultura variada e rica... A cultura é um dos aspectos que mais marcam um povo, revelam sua identidade! Pode se apresentar de várias formas... dentre elas língua, sotaques, religião, costumes, tradições, tudo isso em escala nacional e regional.
A regionalização cultural provoca a imposição de uma região sobre a outra... como acontece com o Sudeste e sobre Nordeste, por exemplo! O sudeste recebe mais investimentos, assim se desenvolve... e subjuga, trazendo pra cá toda a desvalorização! Isso ocorre, também, dentro do próprio Nordeste, onde os maiores estados reprimem os menores... e estes, absorvem tudo isso, desencadeando uma desvalorização interna...
Samba – de – coco, reisado, chegança, dança de São Gonçalo... Não são estimados em seu próprio estado. Mas qual é o motivo? Será que estão atrasados e não cabem em nossos dias? Será que não agradam? A resposta está na estrutura da sociedade. Quem mantém essas tradições? Quem não dá o devido valor a elas? A história mostra quem é quem na cultura...
As festas populares que continuaram sendo organizadas pela classe marginalizada sofrem a repulsa da sociedade... Mas aquelas que foram dominadas pelos empresários e modificadas para gerar lucro continuam crescendo a todo vapor! Um exemplo disso é a festa junina em Sergipe... deixou de ser realizada familiarmente, nas ruas, para se transformar numa maratona de shows que beneficiam somente a rede hoteleira e mais outras grandes empresas! Essa expropriação da cultura por empresários não acontece somente nas festas, mas também no teatro, cinema, música... As empresas investem, mas cobram muito caro por isso. Então acaba que a cultura fica restrita a uma parcela muito pequena da população, que pode pagar por ela... É a aquela velha história de “quem produz não pode consumir”. A parcela excluída da população está presente nessas festas ou pra vender bebida ou pra catar latinha... todos nós sabemos que isso é verdade.
Cabe a nós, como estudantes e detentores de conhecimento... buscar alternativas para que todas as culturas sejam valorizadas sem precisar subjugar uma a outra! Vamos movimentar nossas universidades, criar grupos culturais de apresentações da região... Fazer estudos culturais também é papel do arquiteto e de todo e qualquer ser social!

Inspire Urbanismo... Expire Cidade...

MTST - Movimento dos Trabalhadores Sem Teto - SP

A situação da moradia no Brasil é no mínimo estranha: de um lado, milhões de sem teto, do outro, muitos terrenos e edificações vazias...
A especulação imobiliária transforma imóveis, aparentemente sem valor, em lucrativos empreendimentos. Através dos investimentos de infra-estrutura feitos pelo Estado que se utiliza do dinheiro público pago pelos trabalhadores para fazer melhorias em terrenos que vão beneficiar, antes de mais nada, os empresários que estão querendo tirar seus grandiosos lucros através da especulação imobiliária. Assim, o preço dos imóveis ficam cada vez mais caros e impossibilita que, a classe mais excluída, adquira sua moradia... Moradia esta, que deveria ser garantida pela quantidade de impostos pagos pela população, no país em que nos últimos anos se teve a maior aumento de carga tributária, já visto, em tão pouco tempo. Ou seja, o Estado deixa de investir na moradia popular para contribuir com a especulação das grandes construtoras e aumentar ainda mais a desigualdade social e o número de pessoas sem moradia no nosso país.
Para quem estão governando? A assistência deve ser pra quem precisa, ou pra quem já tem até demais? É excluindo os setores mais desfavorecidos que vão construir cidades mais humanizadas?
Porque além de excluir, oprimem! Por isso, vale lembrar a forma truculenta como alguns setores da segurança pública chegam em locais de ocupação dos movimentos de moradia. A ponto de machucar crianças... A contradição de classes se mostra evidente em momentos como esse... Mostra-se para quem se governa e para quem se faz segurança... Seria para classe oprimida? Não! Se faz segurança para a classe opressora, para a classe que constroe grandes obras, para a classe que tem em mãos a maior parte das riquezas que esse país possui. E não para a classe que realmente constrói botando a massa, o cimento e ajudando a rebocar...
Viver sem local fixo, ter que investir em aluguel no lugar de alimentação e educação ou ter que viver nas ruas sofrendo todo tipo de opressão... é contra isso que os movimentos sociais lutam. E é por isso que a atuação permanente desses movimentos é indispensável para minimizar o sofrimento do povo marginalizado pela sociedade. Eles são o principal veículo de junção de forças e de reivindicação que os moradores das cidades possuem! Eles lutam pelo primeiro direito da arquitetura: o direito de MORAR.

...Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Pus a massa fiz cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
vem pra mim toda contente
Pai vou me matricular
Mas me diz um cidadão
Criança de pé no chão
aqui não pode estudar
Esta dor doeu mais forte
por que que eu deixei o norte
eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
mas o pouco que eu plantava
tinha direito a comer...
(trecho da música Cidadão de Lúcio Barbosa)

Inspire Universidade... Expire Movimento...

Ocupação de Reitoria 2008 UFS

Acreditamos que ainda tem muita gente se questionando em por que um encontro de arquitetura tem um eixo temático como esse... a resposta é muito simples para quem está dentro de uma universidade, pra quem questiona a universidade e pra quem esteve dentro dela no ano de 2007.
Tá... sabemos que algumas pessoas estão lendo e não estão entendendo o porquê do foco no ano de 2007... Quer ver o por quê?
*No ano de 2007 mais de 30 universidades tiveram suas reitorias ocupadas ou estiveram em greve...
*No ano de 2007 o REUNI (decreto do governo) foi aprovado em 53 universidades de forma antidemocrática e sem nenhuma discussão...
Há anos não se viam tantos estudantes se mobilizando e tão unificados quanto se viu nesse ano que passou. Os estudantes de todo o país estiveram em estado permanente de mobilização, não se via um dia na TV em que não passasse algo nos noticiários sobre mobilizações estudantis, mesmo que muitas vezes distorcidas, mas estávamos sempre na ordem do dia!
Quer uma dica pra entender melhor o que estamos querendo mostrar aqui? Faz o seguinte... entra no Google e coloca na pesquisa “ocupação de reitoria”... E ai? Quantas páginas de notícias, quantos blogs de ocupações, quantos vídeos apareceram listados? Incontáveis, não é?
Para o movimento estudantil o ano de 2007 foi o ano em que mais se avançou nas lutas, o ano em que tivemos mais conquistas, mais vitórias... o ano em que se abriu uma nova etapa no movimento estudantil , marcada pela politização, radicalização e audiência de massas das lutas e ocupações de reitorias. Processo que foi desencadeado pelo grau dos ataques que o governo e as reitorias desferiram sobre o movimento. E isso companheiros, devemos concordar que é inegável.
E não se engane... não foram só as universidades públicas que sofreram com esses ataques e estiveram em estado de mobilização! Diversas universidades privadas também travaram grandes lutas... e nós com o EREA ARACAJU queremos fazer um convite especial a mais estudantes das particulares, que venham conosco inspirar e expirar com força total as lutas das pagas..
E aonde queremos chegar com isso? vamos explicar agora...
Dentre as pautas das lutas que o ME enfrentou nos últimos tempos estavam sempre presentes questões de assistência estudantil, de infraestrutura (laboratórios, transporte, etc), de recursos humanos, e até mesmo, pautas sindicais das universidades como melhores salários, melhores condições de trabalho... Pois, durante as mobilizações estudantis, ocorreram, junto a elas, mobilizações de vários setores da universidade (servidores, professores, técnicos)... o que não impediu que o movimento estudantil abraçasse essa causa, lutando junto a classe trabalhadora.. o que consideramos também um grande avanço e vitória para organização do nosso movimento estudantil!
Mas, no calor da luta contra o Reuni, nas ocupações de reitoria, nas marchas e manifestações, há algo que chama a atenção: onde está a União Nacional dos Estudantes? A entidade, que ao longo da história foi sinônimo de luta em defesa da educação. Onde ela estava? Sempre distante de todas essas mobilizações e por muitas vezes se posicionando contra elas. E quem achar que isso que estamos falando aqui é mentira, que atire a primeira pedra!
O mais inacreditável é que toda essa “combatividade” da UNE, está a serviço da defesa do maior ataque ao ensino superior na história do país: a reforma universitária. Essa reforma, que vem sendo aprovada em fatias através de decretos e medidas provisórias, que desencadearam diversas “patologias” nas universidades decorrentes da expansão e interiorização irresponsável e sem planejamento da universidade, conta com o apoio entusiástico da UNE. Isso mesmo, acreditem! “Patologias” essas que foram, em sua maioria, parte das pautas de greves e ocupações.
A UNE há alguns anos se tornou uma entidade completamente burocrática e antidemocrática. Isso vem se concretizando cada vez mais nos últimos Congressos da UNE. A sua direção majoritária chega a ponto de manobrar regras, tumultuar votações e por várias vezes chegam ao ponto de fraudar processos eleitorais, para continuar aparelhando a direção e as deliberações da entidade.
E por que nós tocamos nesse assunto? Porque será o nosso foco dentro das atividades desse eixo... A reorganização do movimento estudantil.
Mas como se dará essa reorganização? Qual o melhor caminho que os CA’s, DCE’s, grêmios, executivas, coletivos, entre outras organizações estudantis devem tomar? Será que é necessário se construir uma nova entidade para que se viabilize a unificação das lutas? Se não, de que modo poderemos continuar potencializando as bandeiras do ME unificadamente?
Só as discussões nas mesas, GD’s, palestras podem nos responder qual o melhor caminho...Vamos juntos discutir os rumos dessa nova conjuntura de ME que estamos vivendo. E lembrem-se, vamos continuar inundando as ruas com nossos protestos, gritos e cores! Temos que ir para além dos muros da universidade! Vamos à luta sempre, porque ela é e deve ser sempre o nosso instrumento de construção e objetivação dos nossos sonhos... Façamos o impossível!

Inspire Meio Ambiente... Expire Consciência...

construção em bambu

Será que a maioria dos estudantes de arquitetura já parou para pensar sobre sustentabilidade? Esse assunto está sendo bem debatido pelos estudantes da nossa regional? Até quando vamos esperar que a natureza agüente todos as nossas irresponsabilidades? Até quando vamos continuar colocando no lixo, materiais que poderiam estar sendo utilizados na arquitetura, para diminuir o déficit habitacional?

É exatamente nesse sentido que o EREA Aju quer plantar uma sementinha em seus participantes! Para que todos voltem para as suas faculdades com debate mais aprofundado e uma consciência mais apurada sobre esse assunto, se perguntando se não podemos projetar casas sustentáveis... Por que, que materiais para construção sustentável ainda são tão caros no Brasil? Por que não costumamos aprender sobre materiais alternativos que não agridem tanto o meio ambiente em nossas faculdades? Já existem sim, novas técnicas de construção, mais baratas e mais sustentáveis... Mas, onde está esse conhecimento que não chega em nossas salas de aula?
Enquanto estamos aqui... parados... refletindo... milhões de famílias estão sem casa pra morar... O que a podemos fazer por elas, com essas novas técnicas de construção que estão surgindo? Ou essas novas tecnologias só devem ser usadas para beneficiar ainda mais a grande onda de especulação imobiliária? Quem realmente necessita de auxílio... quem produz ou quem está acumulando nas mãos, tudo que se é produzido?

Pretendemos dessa forma fazer com que os participantes desde já comecem a ter responsabilidade social e ambiental... Que tenhamos conhecimentos mais aprofundados das condições da nossa sociedade, cultura, economia... Que entendamos que o problema não vem somente de nós, mas de toda uma história de exploração do homem pelo homem! Mas, que nosso imobilismo contribui e muito para a continuidade de sistema que prolifera a desigualdade social. Para que possamos inspirar ainda mais a nossa profissão e expirar mudanças para toda a sociedade!!

Inspire Arquitetura e Urbanismo... Expire TRANSFORMAÇÃO!!!

maio de 1968

Esse é o último eixo da nossa temática e o nosso desfecho... Arquitetura e Transformação já estão implícitos em todos os outros eixos ditos aqui e vem com a finalidade de unir todos em um só motivo, em um só ideal... É entender ainda mais sobre as nossas obrigações como estudantes e futuros arquitetos e urbanistas, para que tenhamos consciência dos nossos deveres perante a nossa sociedade...
O que queremos com inspire Arquitetura... expire Transformação é que cada participante desse encontro saia diferente, seja um novo estudante ao sair desse momento tão mágico que é o encontro.. queremos que você, participante, se questione! Pergunte o que você anda fazendo para melhorias do seu país, da sua cidade, da sua universidade, do seu centro acadêmico...
Queremos que você também se contagie não só pela mágica de reencontrar velhos amigos ou de fazer novos durante a semana do encontro, mas que também encontre-se dentro do que é ter de fato uma responsabilidade social, em um país tão cheio de contrastes como o nosso! Encontre esse ser questionador que há dentro de você e perceba que com ele podemos transformar tudo que achamos que por algum motivo está errado... tudo aquilo que um dia você pensou que não havia mais jeito de melhorar... acredite...
HÁ SEMPRE UMA MANEIRA DE SE MELHORAR A REALIDADE QUE NOS ENVOLVE E ISSO SÓ DEPENDE DE NÓS, DA NOSSA VONTADE DE SE ORGANIZAR!
E é isso que nós vamos fazer!!! O eixo Arquitetura e Transformação e o encontro de uma forma mais geral não vai te dizer tin-tin-por-tin-tin o que devemos fazer... é através da sua participação nos espaços (mesas redondas, palestras, oficinas...), que vão estar acontecendo todos os dias do encontro, é que você vai achar a sua resposta.. da sua maneira... e quando voltar para a sua faculdade vai estar contagiado por essa magia... a de refletir... questionar... mudar... se movimentar... TRANSFORMAR!!
Venha para o EREA ARACAJU! Onde você terá o seu espaço para expor tudo que por algum motivo te angustiou durante esse tempo na sua universidade e na sua cidade e procurar em conjunto com pessoas de todo o nordeste (e também alguns de fora da regional) uma solução...uma TRANSFORAMÇÃO!


E pra não quebrar a tradição...
Vem pra cá que É TUDO NOSSO!

I Encontro Regional Nordeste de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo-EREA ARACAJU – Janeiro de 2009!! Inspire... Expire...

domingo, 28 de setembro de 2008

Breve histórico do ensino superior brasileiro - Ou, por que as reitorias são ocupadas?

por Fernando Silvério, estudante da PUC-SP, é militante do Movimento A Plenos Pulmões

"Privatizaram sua vida, seu trabalho,sua hora de amar
e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário.
E agora não contentes querem privatizar
o conhecimento, a sabedoria, o pensamento,
que só à humanidade pertence".
Brecht

Antes de falarmos sobre a situação atual da PUC, é necessário recuarmos um pouco no tempo e entendermos os processos de transformação que o ensino superior brasileiro vem sofrendo nas últimas décadas. Dessa forma, entenderemos que o Redesenho institucional não pode ser compreendido de forma isolada, e deve ser analisado no contexto dos projetos atuais que são formulados para as universidades.

As universidades privadas e o PROUNI

Durante os anos do governo Fernando Henrique Cardoso, a partir da metade da década de 90, o Brasil acompanhou um enorme crescimento das universidades privadas. A baixíssima quantidade de brasileiros no ensino superior carecia de uma solução e, naquela conjuntura política, onde a iniciativa privada era professada como resposta para todos os males do país, a criação de universidades privadas surgia como a resposta mágica para o problema.
Assim, as instituições privadas passaram a ter muito mais facilidade para adquirir concessões e ter seus cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação - atraindo o interesse de diversos empresários e profissionais sem qualquer experiência com a área de educação, mas que enxergavam a possibilidade de obter grandes lucros com aquele mercado que se abria – e rapidamente se expandiram por todo o país. O ensino deixava de ser um direito de todos os cidadãos para se transformar em uma mercadoria a ser vendida, e as faculdades deixavam de ser unicamente instituições educacionais para tornaram-se empresas privadas. Os cursos que estas instituições passaram a oferecer, de modo geral, nunca primaram pela 'excelência acadêmica', mas sim por um tecnicismo voltado diretamente ao mercado de trabalho, isso é, uma forma de ensino que tem como fim exclusivo transformar os universitários em mão-de-obra qualificada para o mercado. E ainda assim, boa parte das vezes, só conseguem formar mão-de-obra semi-qualificada.
Os alunos dessas universidades, naturalmente, não seriam majoritariamente os filhos da classe média, mas, sim, os estudantes de classe média-baixa vindos do ensino público. Uma vez na faculdade, estes alunos tiveram enorme dificuldade em arcar com os custos das mensalidades, fazendo com que as universidades privadas tivessem muitos casos de inadimplência. Isso, somado ao quadro de recessão que o país viveu naqueles anos, gerou muitos problemas para as instituições privadas, e por volta do ano 2000 diversas delas já passavam por crise financeira.
Veio então o governo Lula e a criação do PROUNI, projeto que, sob o pretexto de ampliar as vagas nas universidades para alunos vindos do ensino público, repassava às faculdades privadas um considerável percentual das verbas que deveriam ser aplicadas na educação pública, conferindo lucro exorbitante aos donos dessas instituições. O ensino superior privado parecia salvo.

A Universidade Nova e o REUNI
No cenário atual, entretanto, o mercado das universidades privadas parece não dar mais conta da formação de mão-de-obra especializada que as elites julgam necessária para garantir o crescimento econômico do país. E o REUNI parece surgir para suprir essa falta. O REUNI é um projeto de reestruturação das universidades públicas proposto pelo Governo Federal e fortemente inspirado no modelo europeu de "universidade nova".
O atual Ministério da Educação parte do diagnóstico (correto, a nosso ver) de que o atual ensino superior brasileiro é uma criação da ditadura, extremamente arcaico e elitista, o que torna necessária uma ampla reestruturação. Não costuma mencionar, no entanto, que o ensino superior privado também foi criado pela ditadura militar e, a exemplo do que fazia o predecessor Paulo Renato, sempre tenta se esquivar quando são apontadas as semelhanças entre seus projetos de reforma e os acordos MEC/USAID. Para o MEC, o mercado e as relações de trabalho se tornaram extremamente voláteis, de forma que um estudante não poderia mais passar quatro ou cinco anos em uma universidade, e seria necessário tornar os cursos universitários mais "ágeis" e "flexíveis". Em outras palavras, um mercado de trabalho precário exigiria a precarização da universidade pública. Dessa forma, o Governo propõe a criação de "ciclos básicos" com cerca de dois anos de duração, ou seja, transformar a universidade em uma extensão do ensino básico, possibilitando a qualificação da mão-de-obra dos alunos que nela ingressem. Após a conclusão do ciclo básico, pelo que indica o projeto, apenas os alunos com melhores notas poderiam prosseguir na universidade.
Ainda de acordo com o MEC, a criação destes ciclos tornaria mais barato o custo com os alunos nas universidades, possibilitando uma "grande ampliação das vagas" existentes. E, para que isso seja possível, é necessário "aproveitar as estruturas físicas existentes e o mesmo corpo docente". Isso é, as mesmas salas de aula serão utilizadas e não serão contratados novos professores. O que implica em um ensino com salas de aula superlotadas e professores sobrecarregados. Mas o Governo Federal promete "premiar" as universidades que aceitarem o REUNI com aumento de verbas, o que torna seu projeto bastante sedutor para algumas reitorias.
Como esse aumento de verbas, todavia, será insuficiente dadas as necessidades das universidades federais, o REUNI também possibilita maior facilidade nas parcerias entre os cursos universitários e as fundações e empresas privadas no que diz respeito ao financiamento de pesquisas. As parcerias com o capital privado, que são vistas como fabulosas por alguns, comprometem profundamente a autonomia da universidade e podem torná-la completamente submissa ao interesse das grandes empresas. Um caso emblemático nesse sentido é o da faculdade de Farmacologia da USP que, há alguns anos, era referência mundial na produção de medicamentos para doenças tropicais. Após a parceria com uma fundação, no entanto, a faculdade passou a pesquisar e produzir, quase que exclusivamente, produtos de beleza.
Dessa maneira, percebemos que algumas reivindicações históricas de docentes, técnicos administrativos e estudantes, como a ampliação de vagas e o aumento de verbas para a universidade, são usadas pelo Governo Federal para legitimar um projeto de universidade que propõe uma relação ainda mais direta entre universidades e mercado de trabalho. Fica claro para nós que o REUNI é incapaz de solucionar a contradição neoliberal de ampliar e democratizar o acesso ao ensino superior público sem instrumentalizá-lo e torná-lo ainda mais funcional e dependente dos interesses do mercado. Muito pelo contrário, o projeto tem como pressuposto básico para a massificação da universidade pública a própria submissão do conhecimento ao mercado.
Projetos como o PROUNI e o REUNI demonstram a profunda crise do modelo atual de universidade pública e da própria cultura bacharelesca brasileira. E em resposta ao corporativismo acadêmico e ao acesso restrito às universidades surge a "democracia de mercado", ou seja, a formação massiva de mão-de-obra especializada como cerne da universidade. Em oposição a um ensino de qualidade para poucos, coloca-se um ensino precário e ainda mais voltado aos interesses do mercado para um número maior de pessoas. Número esse que, embora maior, continuará sendo baixo e mantendo a imensa maioria da população longe das universidades.
Dessa forma, chegamos a um impasse. Defender o modelo de universidade proposto pelo Governo, que contempla um número maior de pessoas apenas com a finalidade de aumentar o percentual mão-de-obra qualificada, ou defender o modelo tradicional, elitista e corporativo? A nosso ver, nenhuma das duas opções parece muito satisfatória. E mais do que nunca se torna necessário levantar a bandeira do ensino superior público, gratuito e de qualidade para todos. E por acreditarem nisso, milhares de estudantes pararam as suas universidades no último ano. Contra a imposição verticalizada do REUNI pelas reitorias, muitas das quais buscaram implementar o projeto sem efetuar qualquer discussão com a comunidade universitária, o movimento estudantil se levantou em 2007 ocupando reitorias e comandando greves em diversas universidades federais.
O que é importante notar é que, evidentemente, ainda que o REUNI seja muito útil para qualificar a mão-de-obra que as elites necessitam para expandir seus negócios e competir no mercado internacional, criando novos auxiliares de escritório, secretárias, etc., este modelo de universidade pública não serve para educar os filhos desta mesma elite e nem mesmo dos segmentos mais abastados da classe média. Assim sendo, será aberto um novo mercado para que a elite econômica, que poderá criar novas instituições privadas de "excelência", com mensalidades caríssimas.

O Redesenho da PUC-SP

Por tudo o que já foi exposto, parece claro para nós que o mesmo processo de desmonte que se aplicou às escolas públicas agora é aplicado também às universidades públicas. A longo prazo, deverá existir o ensino superior público técnico e/ou de baixa qualidade, e o ensino "de excelência" (leia-se ensino instrumental com cursos de grande projeção no mercado) apenas para aqueles que puderem pagar. E é neste marco que o Redesenho Institucional, o projeto de reestruturação acadêmica e financeira da PUC, deve ser entendido.
Com o "boom" das universidades privadas, o modelo "filantrópico" da PUC se tornou obsoleto e incapaz de fazê-la concorrer com as demais faculdades particulares. Isso, somado à incompetência de algumas gestões, fez a universidade mergulhar em uma profunda crise. E com o surgimento do REUNI, torna-se ainda mais difícil para a PUC conseguir manter-se entre as faculdades de ponta sem alterar seu modelo. Dessa forma, surge a oportunidade perfeita para a PUC se transformar em um centro privado de "excelência", com cursos destinados a formar "jovens talentos para grandes empresas", como a própria reitoria propagou em cartaz há pouco tempo. Assim, a PUC poderá se inserir em um novo e promissor mercado, transformando-se em um grande instituto tecnocrático de ensino e pesquisas voltadas aos interesses do capital financeiro e das grandes empresas; um novo Ibmec. Não há necessidade de apontar o caráter extremamente elitista desse modelo de universidade.
A primeira coisa que se deve ter em mente sobre o Redesenho é que ele não se trata meramente de um pacote de medidas a serem aplicadas em um breve período de tempo, mas, sim, de um conjunto de mudanças que já vêm acontecendo (como se pode perceber pelas reformas que sofreram diversos cursos, muitos dos quais tiveram sua duração reduzidas e/ou sofreram transformações em suas grades curriculares tornando-os muito mais instrumentais e tecnicistas) e que só se concretizarão a longo prazo. A votação do Redesenho, em nossa avaliação, representa apenas uma tentativa de formalização e legitimação institucional destas mudanças.
A Comissão de Redesenho Institucional (CORI) também parte do pressuposto de que o mercado de trabalho se tornou volátil (o que parece ser consenso entre os que propõem reformas universitárias) e que as universidades precisam acompanhá-lo. Isso explica a redução da duração e demais transformações de alguns cursos.. A CORI também afirma que é preciso tornar mais ágeis e dinâmicas as três dimensões da universidade: ensino, pesquisa e extensão, com uma possível ampliação do ensino à distância (o que já vem crescendo na PUC nos últimos anos) e a incorporação das estruturas curriculares definidas pelo Processo de Bolonha. Este é o modelo (elitista e eurocêntrico) que a PUC deve seguir.
Entretanto, as três propostas de Redesenho conservam os órgãos burocráticos de poder existentes na universidade e sugerem que se torne ainda mais diminuta a participação dos alunos nos mesmos. Como evitar o corporativismo e a burocratização mantendo essas estruturas arcaicas de decisão e ignorando a participação dos alunos?
O Redesenho também sinaliza com a possibilidade de parcerias com empresas privadas, o que, conforme já dissemos, compromete seriamente a autonomia das pesquisas efetuadas. A CORI repete, como se fosse um mantra, que o objetivo do projeto é "aperfeiçoar ensino, pesquisa e extensão" na universidade. Mas não nos parece que esteja seguindo esse caminho, já que a possibilidade de parcerias com fundações de apoio para captar recursos ameaça gravemente a qualidade desse "sagrado tripé" e nenhum de seus integrantes parece se importar.
Ressalte-se ainda que nas universidade públicas não faltam atividades que se dizem de extensão, mas que nada mais são do que formas de empresas privadas utilizarem o conhecimento produzido na universidade para benefício particular, limitando ao máximo a possibilidade de criação dos estudantes. E certamente não é esse o projeto de universidade que nós queremos para a PUC.
Outro dos pontos defendidos pela CORI é a necessidade de se garantir a "sustentabilidade" da universidade, a fim de torná-la "mais razoável" (leia-se tirá-la do buraco). E isso, ao que parece, serve de legitimação para que os alunos que não podem pagar a mensalidade em dia sejam impedidos de assistir às aulas. Não nos parece estranho, portanto, que a proposta de instalar catracas na PUC tenha ganhado força nos últimos tempos. Pois, assim, os inadimplentes não poderiam sequer entrar na universidade.
Sabemos que a PUC hoje enfrenta uma dívida que ultrapassa os 80 milhões de reais. Sabemos que é necessária uma reestruturação profunda da universidade. Mas queremos participar ativamente deste processo e queremos que ele seja discutido de forma ampla com todos os que integram a universidade. Só é possível aceitar que a Reitoria e uma comissão que não possui qualquer representatividade entre os alunos e funcionários decida quais serão os rumos da PUC se acharmos que é possível prescindir da própria comunidade universitária, ou seja, se considerarmos que estudantes, professores e funcionários não têm o direito de intervir. Mas nós não pensamos assim. Entendemos que a universidade é feita para os estudantes e que esses devem ter voz ativa na mesma. Foi por isso que ocupamos a Reitoria da universidade em 2007 e buscamos desde o primeiro momento impulsionar discussões sobre o Redesenho Institucional. Foi por isso que criamos este grupo de estudos e é por isso que convidamos a todos para fazerem parte dele e nos ajudarem a debater essas questões.
Por trás dos discursos genéricos e ambíguos presentes nas falas da Reitoria e nas propostas de Redesenho, por trás da ausência de debates sobre o projeto, nos parece claro que há a tentativa de se implantar um modelo de universidade no qual as grandes empresas e o lucro são mais importantes do que as pessoas. Temos a convicção de que não podemos deixar esses projetos passarem. E, no que depender de nós, não passarão.


Blog "Universidade Popular":www.universidadepopular.blogspot.com

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Temática - V Parte - Conclusão

Inspire Arquitetura e Urbanismo... Expire transformação...

Pois bem... é desse modo que o primeiro encontro de cabras da peste...digo... de estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Regional Nordeste, pretende cativar todos os participantes e fazer com que eles inspirem e expirem de algum modo positivo esse momento em que iremos nos encontrar.

Enfim... é assim que nós, ComOrg do EREA Aju, temos uma grande preocupação em apresentar de uma maneira divertida e criativa as nossas preocupações e responsabilidades dentro da Arquitetura e Urbanismo, no movimento estudantil, no meio ambiente, na sociedade... fazendo com que todos esses temas sejam inspirados pelos participantes...!!!Precisamos da sua participação! Sem ela não há como haver encontro... precisamos inspirar tudo que a nossa cidade e o nosso meio acadêmico vive com toda a sua efervescência! Precisamos inspirar a vida e expirar ainda mais Arquitetura e Urbanismo!!!

ComOrg EREA AJU 2009